14November2019

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Manejo de Cavalos e Equitação Através do “Feel”

Por Leslie Desmond

(tradução para português por Brittany Cane Yamamoto)

Nós admiramos o cavalo por sua força e graça, bem como a beleza e as qualidades místicas e espirituais que ele possui.  Parece que praticamente todo mundo que se apaixona pelos cavalos ficam cativados por essas qualidades nobres e magníficas.  Através dos séculos, o ser humano tem desejado ser parceiro do cavalo, e sem dúvida, o homem tem conseguido esse objetivo, tanto no trabalho como na guerra, na literatura, no esporte e na arte.  

Ao longo dos anos, e em especial, depois da revolução industrial (em que o papel do cavalo mudou e ele se transformou em um objeto de lazer e esporte) os cavaleiros e os donos de cavalos desenvolveram ideias contraditórias sobre o significado do próprio “horsemanship” (equitação e manejo de cavalos em português) e o melhor uso de cavalos. Confusão entre o cavalo e o ser humano hoje em dia já faz parte da relação no dia a dia dos mesmos, e quando consideramos a variedade de expectativas que o cavalo tem em relação ao ser humano, e por causa da inconsistência no manejo do cavalo por parte do homem, não é surpreendente, então que nós, como donos e cavaleiros, busquemos maiores orientações para melhorar a relação com o nosso parceiro, o cavalo.  Por muitas décadas, eu também andava buscando essa orientação.  

O desejo de buscar sempre a forma mais rápida de resolver problemas e mal entendidos com o cavalo, no geral, gera soluções rápidas, mas que prejudicam a própria relação com o animal.  Muitas vezes, procuramos solucionar problemas comportamentais através de uma diversa variedade de equipamentos.  Raramente, porém, esses problemas são de fato solucionados com embocaduras, martingales, chicotes ou cavessons.

Se o que nós realmente desejemos é preservar o espírito e o movimento natural do cavalo, num primeiro instante, precisamos aprender a “sentir” o cavalo.  Se formos bons alunos e bons parceiros neste sentido, o cavalo irá nos ajudar a desenvolver um “feel” (sensibilidade em português - sentimento ou compreensão do sentimento) mais evoluído quando estivermos montados.  Aprender a “ler” o cavalo é fundamental.

Para isso, tenho dois objetivos quando o assunto é domar um potro ou até “re-domar” um cavalo adulto:

Estabelecer uma conexão com a inteligência emocional e racional—digamos, com a mente, do cavalo.

Estabelecer controle sobre o pescoço (onde o pescoço se une à espádua do cavalo) lateralmente (para a esquerda e para a direita) e longitudinalmente (para cima e para baixo).

O segundo objetivo é de maior importância porque afeta diretamente a maneabilidade da nuca, pescoço, cernelha, espádua, tronco e posterior do cavalo.  O controle sobre o pescoço e a espádua tem um efeito imediato e decisivo sob a flexão e o relaxamento e a descontração da mandíbula.  Da mesma forma, esse controle determina a capacidade do diafragma de se expandir e contrair.  Isso é importante porque o acesso à mandíbula e ao diafragma afeta a quantidade de oxigênio no sangue e no cérebro do cavalo.  Isso também influencia sua capacidade de utilizar eficientemente o posterior, o lombar e o sacro.   

Juntos, esse componentes são essenciais para formar a base da relação homem-cavalo, em especial, se o dono e/ou o cavaleiro deseje estabelecer “controle” (OBS: não estamos falando de controle obtido por dominância nem por submissão, seja físico, mental ou emocional) do cavalo (tanto a mente como o corpo) sem briga.  Um dono, cavaleiro ou tratador atento e que esteja trabalhando através do “feel” (sensibilidade) irá eliminar a necessidade de força, medo ou coerção para alcançar seus objetivos com o cavalo, sejam quais forem.  Através do “feel,” é possível desfrutar e imitar a forma que os cavalos usam o “feel” (a verdadeira língua do cavalo) entres eles.  Uma pessoa atenta poderá aprender muito pelo simples fato de passar um tempo “observando” os cavalos em liberdade e em grupo.  Algumas pessoas viraram verdadeiros “mestres” nisto.  

Por que isso é tão importante?  Porque se você pretende montar um cavalo, você deve ter sua permissão antes de colocar seu pé no estribo. A maioria dos cavalos conseguem se desfazer de um cavaleiro numa piscar de olhos, se é isso que eles querem.

Depois de alguns anos aprendendo com o Bill Dorrance, no período em que escrevemos o livro “True Horsemanship Through Feel” (sem tradução em português), eu podia começar a me integrar cada vez mais com o “sentimento” “feel”—nas minhas interações com os cavalos.  Ao mesmo tempo, e para minha surpresa, descobri que essa forma tão agradável e prazerosa de se conviver com os cavalos fazia com que eu conseguisse cultivar relações mais profundas com as pessoas ao meu redor, (no fim, o “feel” é muito mais do que uma técnica para treinar cavalos ou qualquer outro animal, é uma filosofia de como viver a vida de uma forma elegante e respeitosa).   O resultado foi que agora eu desfruto de um interesse ainda maior nessa jornada.